Descobrindo o Poder da Viagem Lenta
- Fernanda Paula

- 6 de mar. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 9 de mar.

Em 2019, percorri a Itália de norte a sul em apenas 28 dias.
No início, parecia uma grande aventura. Mas, ao longo da viagem, comecei a me perguntar se aquela forma apressada de explorar cada cidade realmente fazia sentido para mim como viajante.
Apenas no final da jornada, cheguei à conclusão de que não poderia mais viajar daquele jeito.
Correr de um lado para outro não fazia mais sentido. Mesmo sabendo que o motivo era porque ficaria pouco tempo no país, percebi que era melhor “perder” a chance de conhecer uma determinada cidade do que não vivenciar nenhuma delas de forma autêntica.
Comecei a relembrar que, quando tinha a chance de por o pé na estrada, na grande maioria das vezes, sempre preferi uma viagem mais calma, com destinos desconhecidos, fora de temporada ou sem muitos turistas.
O paz interior que eu buscava estava longe, bem longe, dos grandes centros urbanos, dos lugares badalados ou daqueles super reconhecidos com "pontos turísticos" famosos.
Recordo que escolhia viagens em que poderia esconder-me do mundo: pequenas cidades do interior, praias desconhecidas, antigas estações de trem e mosteiros sempre me pareciam o passeio ideal.
À medida que reflito sobre isso com mais profundidade, percebo que a verdadeira essência de uma viagem está na conexão gradual - mais lenta - com o lugar: nas experiências do dia a dia, na observação contemplativa, no contato com a história e com as pessoas do local e, sobretudo, nas memórias significativas que acumulamos ao longo do caminho.
Além disso, vejo que viajar é uma oportunidade de reencontrar meu ritmo, desacelerar e redescobrir a beleza do mundo.

Transformação Através da Viagem Lenta
No final de 2021, decidi fazer uma pesquisa informal sobre Slow Travel e suas características, buscando entender mais sobre como minha viagem pela Itália havia influenciado diversos aspectos do meu cotidiano.
Aquela jornada me proporcionou muitos insights sobre a direção que eu estava dando à minha vida e sobre o tempo que desperdiçava com inutilidades. Também me ajudou a tomar decisões em favor da minha saúde física e mental.
Embora seja evidente que uma única viagem não tenha o poder de transformar radicalmente a vida das pessoas, acredito que, na minha experiência, a mudança de espaço físico e a imersão em uma nova realidade ajudaram a ampliar minha visão sobre o mundo e a maneira como eu atuava nele.
A minha maneira de experimentar o tempo mudou. Assim como meu olhar sobre as coisas - das paisagens às pessoas.
Prestar atenção ao ambiente ao meu redor e a como ele impacta meus sentimentos, sensações e pensamentos tornou-se um hábito que me proporciona, em certa medida, contentamento e bem-estar.
Ao incorporar práticas contemplativas, arte, filosofia e psicologia, descobri uma interseção rica entre Slow Travel, saúde mental e tempo livre.
Penso que esses temas entrelaçam-se de maneira intuitiva, oferecendo reflexões valiosas sobre como melhorar tanto nossas viagens quanto nossa vida cotidiana.
Ainda estou no processo de leitura e integração de diversos conteúdos que considero relevantes ao tema da Viagem Lenta.
Compartilho esse relato com o desejo de inspirar outras pessoas a explorarem o Slow Travel não apenas como um novo jeito de viajar, mas como uma forma de reencontrar significado e conexão com o mundo.
P.S.: Este é um projeto em construção.
_
📝 PRINCIPAIS REFERÊNCIAS DO POST*:
A arte da quietude: Aventuras rumo a lugar nenhum. Pico Iyer (2015)
Andar a pé: um ritual interior de sabedoria e liberdade. Henry David Thoreau (2021).
Caminhar, uma filosofia. Frédéric Gros (2009)
Como os artistas veem o mundo. Will Gompertz (2023)
Devagar. Carl Honoré (2019)
The Holiday Makers. Jost Krippendorf (2016)
Perfect Days. Filme de Wim Wenders e Takuma Takasaki (2023)
🐌 GUIA BÁSICO DO SLOW TRAVEL:
*Nota: Este post é um editorial. Fotos de Arquivo Pessoal.
*Artigo © 2021–2026 Viajar Sem Pressa. Todos os direitos reservados.
Quer continuar a viagem?
No Instagram, compartilho outras paisagens, dicas de filmes, livros e práticas.
No Spotify, você encontra a trilha sonora do blog Viajar Sem Pressa.
No Youtube, estão reunidos os vídeos das viagens.



Comentários